CHILENADAS: Os chilenos, os terremotos e os tsunamis

Rota de evacuação em Puerto Montt (foto: Hijos de Futa)
Rota de evacuação em Puerto Montt (foto: Hijos de Futa)

O último grande terremoto aqui no Chile ocorreu há apenas seis anos, em fevereiro de 2010. O tremor de 8,8 graus, que durou três minutos, matou 795 pessoas. Em setembro do ano passado, um outro grande terremoto, de magnitude 8,4, gerou um tsunami com ondas de quase 4,5 metros, matou 15 pessoas no Chile e uma no lado argentino. O desfecho, nos dois casos, só não foi pior porque os chilenos estão claramente preparados para os tremores. E isso é visível em praticamente qualquer lugar do estreito país, assentado sobre placas tectônicas.

Dois exemplos simples para ilustrar: 1. em Santiago ficamos uma noite em uma casa de família cuja dona nos advertiu, diante de uma confusão de malas, cadeados e a cara óbvia de preocupação de brasileiros recém-chegados: “Aqui nós não trancamos as portas à noite, para o caso de precisarmos correr durante um terremoto”. A preocupação de sermos roubados passou para a de sermos acordados em meio a um tremor. 2. Em Puerto Montt, já bem mais ao sul, à beira do mar, havia placas na rua com indicação de rotas de fuga em caso de tsunami.

Chillán e o terremoto de 1939

A enorme cruz da Catedral de Chillán (foto: Hijos de Futa)
A enorme cruz da Catedral de Chillán (foto: Hijos de Futa)

Ainda no nosso caminho de Santiago para a Patagônia, fizemos uma parada em Chillán, cidade sem graça nem movimento que tem cerca de 180 mil habitantes – naquele dia, em meio ao Teletón, parecia que todos eles estavam reunidos na praça central, onde montaram um palco com shows musicais e para contar sobre as arrecadações da campanha nacional em favor das crianças com deficiência motora. A triste atração da cidade fica por conta de uma catedral construída depois de um terremoto que matou, segundo a imprensa, 30 mil pessoas em 1939 (os números oficiais falam em cerca de 5 mil mortos). Ao lado, há uma cruz de 36 metros de altura que lembra os mortos naquela tragédia – a igreja que havia no local, bem como metade dos imóveis da cidade na época, foi destruída. Hoje o templo é resistente a tremores. Também na esteira do terremoto, o México doou para a cidade uma escola, que ganhou o nome do país norte-americano.

Foto de capa: Últimas Notícias (terremoto de 2015)

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