Ah, esses passarinhos de Futaleufú…

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Algumas semanas atrás colocamos na nossa página no Facebook um vídeo muito engraçado de um argentino de Santa Fé (“cidade da umidade, dos mosquitos e do calor”) que mudara para o Canadá. Na chegada, estava todo feliz com a neve, os alces, o clima. Depois… Bem, depois as coisas mudaram um pouco. Eis o vídeo:

Agora que estamos há quase dois meses em Futaleufú, chegou o momento de fazer a nossa revisão.

ninho de passarinhosQuando alugamos a nossa cabaña, nos encantamos com um ninho de passarinhos no telhado. Era muito fofo. Eles acordavam de manhã cedinho, pareciam fazer a higiene matinal, traziam comida para os filhotes… Agora, quando acordamos com o barulho dos passarinhos no telhado, nos entreolhamos com cara irritada. Putos passarinhos, por que não alçam voo de uma vez, por que não saem desse ninho logo? Por que demoram tanto para fazer a sua higiene matinal?!

Outra coisa é a internet. No começo, adoramos a ideia de não estarmos conectados ao mundo o tempo todo, de poder curtir a natureza e os rios, de fazer esporte e ter mais tempo para viver em vez de ficar na frente do computador. Agora a coisa mudou de figura: que droga que, depois de quase dois meses ainda não conseguimos conectar a internet na cabana! Não aguentamos mais ficar fazendo a dança da internet com o celular na mão para ver se alguma rede faz o favor de aparecer! Por que é tudo tão complicado e burocrático por aqui!?

Futaleufú no invernoE tem o frio, ah, o frio! Nos encantou, no começo, a ideia de ter uma simpática lareira na cabana, de poder acendê-la romanticamente vendo o fogo e tomando um vinho nos dias frios de inverno que viriam dali a alguns meses… Só não achávamos que teríamos de acender a puta da lareira por cinco noites seguidas em pleno verão! E ah, quanto trabalho, malditas lenhas que ficam úmidas com a chuva, que não acendem, maldito fogo que não pega, malditos arrepios de frio…!

O galo também era muito simpático. Chegamos até a pensar que não precisaríamos mais usar despertadores, poderíamos esquecer de carregar o celular durante a noite e simplesmente acordar com o canto rouco e desafinado do galo. Só não contávamos que o puto do galo cacareja fora de hora e o dia todo, sem nenhuma razão aparente. Ele e vários outros colegas dele, esse bando de vizinhos barulhentos.

ovelhas em FutaleufúAs ovelhas também eram adoráveis, com o sininho pendurado no pescoço e pastando o dia todo no jardim do vizinho, com sua fofa lã. Mas toda vez que passamos na frente da ovelha mais velha, que parece a chefe de uma gangue, ela faz aquele insuportável barulho que as ovelhas fazem e nos assusta. Até apelidamos a criminosa: Magda, só para poder dizer “Cala a boca, Magda”. Ela parece ser surda, mas não perde um lance e sempre nos vê quando passamos. Faz questão de avisar que nos vê com o “be-é-é-é” dela.

Ter galinhas no quintal também era adorável. Elas têm um jeito de caminhar característico e parece que em Futa, onde seus ovos são chamados de “ovos de verdade”, elas andam em outro ritmo. Hoje percebemos que elas não só parecem desdenhar da nossa presença como ainda comem as flores da dona da cabana, que já até pediu para que nós a afastemos…

Já estamos com saudade de São Paulo, da poluição, do barulho, de não ter tempo pra nada nem pra ver ninguém, do trânsito infernal, da falta de verde e de natureza… Não, pensando bem, não temos nenhuma saudade disso. O santafesino do vídeo que nos perdõe, mas Futaleufú é bem melhor, mesmo com o galo e as ovelhas, os passarinhos e o frio, as galinhas e a falta de internet!

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