As histórias por trás das 15 ruas de Futaleufú (parte 1)

Futaleufú vista do alto (foto: futaleufu.cl)
Futaleufú vista do alto (foto: futaleufu.cl)

Você já parou para pensar quantas ruas tem sua cidade? Lembro de um número divulgado na capa dos guias de São Paulo: 15 mil. Pois Futaleufú tem 15 ruas. Isso mesmo. São cinco “longas”, no sentido leste-oeste e outras 10, mais curtas, no norte-sul. Vale dizer que a cidade não tem semáforos, mas que as placas de “Pare” devem ser estritamente respeitada pelos motoristas, sob o risco de serem parados e multados pelos Carabineros. E há, em cada esquina, indicações de quem deve dar passagem a quem (todas as ruas são de mão dupla).

Com tão poucos logradouros, fiquei curioso e resolvi pesquisar quem são os ilustres cidadãos que dão nomes a eles. Vale dizer que, como em muitos lugares, os nomes se repetem em diversas cidades chilenas. Vamos a eles.

Mapa turístico de Futaleufú (foto: futaleufu.cl)
Mapa turístico de Futaleufú (foto: futaleufu.cl; clique para ampliar)
Bernardo O’Higgins (foto: biography.com)
Bernardo O’Higgins (foto: biography.com)

A Libertador Bernardo O’Higgins é uma espécie de rua principal de Futa. Passa pela praça central da cidade (o “centro nervoso”, como diria meu sogro!) e segue na direção do limite com a Argentina, 9 km adiante, viajando a leste. O’Higgins dá nome a endereços e prédios em Santiago, também. Pudera: sua importância para a história do Chile é crucial. Ele foi nomeado pelo libertador argentino José de San Martín segundo em comando em meio à luta pela independência chilena da Espanha. San Martín marchou sobre os Andes até o Chile (que na época era uma subdivisão da vice-realeza do Peru, sediada em Lima), ocupou Santiago e navegou ao norte para a capital peruana. Com a nomeação, O’Higgins se tornou o diretor supremo da nova república chilena. Ele acabou exilado no Peru após ser obrigado a renunciar, em 1823, depois de ter dominado a política durante os cinco primeiros anos da independência, em 1818.

Paralela à O’Higgins está, mais ao sul, a Hermanos Carrera. A família Carrera, originária da Espanha e radicada no Chile desde o século 17, tem importante papel na história da independência chilena. Os irmãos Carrera, que dão nome à rua, são o militar Juan José Carrera (1782-1818) e José Miguel Carrera (1785-1821), também militar, político e diretor supremo do Chile em 1814. Nascido em Santiago, José Miguel é considerado um dos pais da pátria, com destacada participação nas guerras de independência. Seu irmão Juan José participou ativamente na primeira fase da Guerra de Independência do país. Há um terceiro irmão, Luis Carrera, com papel menor.

Também correndo paralela à O’Higgins, mas mais ao norte, está a Pedro Aguirre Cerda. Aguirre foi presidente do Chile entre 1938 e 1941. Da Wikipedia: “Entre as principais realizações de seu governo estão o impulso dado à educação, a reclamação do Território Chileno Antártico e a fundação da Corporação de Fomento da Produção (Corfo). Seu governo seria o primeiro dos três governos radicais que existiriam no país até 1952”. Era conhecido como “Don Tinto”, por sua ligação com a indústria de vinhos. Doente de tuberculose, não pôde concluir seu mandato, morrendo quando ainda estava no cargo.

José Manuel Balmaceda (foto: Wikipedia)
José Manuel Balmaceda (foto: Wikipedia)

Logo acima da Pedro Aguirre Cerda está a rua José Manuel Balmaceda. O nome do ex-presidente Balmaceda está bastante presente na história do Chile – e nas ruas de várias cidades chilenas. Após a expansão mineira do país, Balmaceda foi a primeira figura a encarar a riqueza mal distribuída. Eleito em 1886, ele liderou um governo que assumiu projetos para obras públicas, revolucionou a infraestrutura e melhorou hospitais e escolas. Mas, em 1890, um congresso conservador votou por sua deposição. Em meio à guerra civil que se seguiu, sob o governo provisório de Jorge Montt, até então comandante da Marinha, Balmaceda se suicidou com um tiro. Mas ele não foi a única vítima fatal do conflito: de fato, mais de 10 mil pessoas morreram.

 

Finalmente, a rua mais ao norte de Futaleufú é a Piloto Carmona, que homenageia o comandante Luis Carmona Lopehandía. A história desse personagem se tornou famosa depois que um avião de carga da Lineas Aereas Nacionales (a LAN) que ele pilotava entre Iquique e Arica precisou fazer um pouso forçado no meio do deserto. O incidente aconteceu em 1939 e não deixou vítimas. Carmona e o único passageiro sobreviveram depois de caminhar por dois dias no deserto até serem encontrados por carabineros. O mais incrível da história é que a aeronave foi encontrada 68 anos depois no local do pouso, praticamente intacta. Carmona continuou trabalhando na LAN até 1955 e morreu em 2001, poucos anos antes de o avião ser encontrado. Seus filhos seguiram sua paixão e também trabalharam na empresa.

Da esquerda para a direita (ou de oeste e leste), a ordem das 10 ruas restantes de Futa é a seguinte: C. Matte, R. Carnicer e Eusebio Lillo, interrompidas pelo bonito prédio da escola da cidade, Gabriela Mistral, Sargento Aldea, Arturo Prat (que dá saída para Chaiten, cidade a 156 km de Futa), Manuel Rodriguez, Lautaro, Isabel Riquelme e a Costanera. Contarei sobre essas ruas na parte 2 deste post, logo mais!

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